<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-19842547</id><updated>2011-04-21T20:20:44.437-03:00</updated><title type='text'>Jornal Descartes</title><subtitle type='html'>Trata-se do jornal dos jornais, uma coletânea de recortes vindos de cantos obscuros &amp; brasileiros. Para tal, assino e leio dedicadamente 351 gazetas. Como sorridente caridoso (tenho um parentesco distante com Irmã Dulce, segundo meu pai), decidi extrair os itens mais pertinentes e expô-los neste blog (e só uso a internet porque a Limpurb e a Green Peace já me enviaram cartas reclamando do meu consumo excessivo de papéis).</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jornaldescartes.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19842547/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornaldescartes.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Saulo Dourado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14877226581424966464</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>6</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19842547.post-116000920151092505</id><published>2006-10-04T21:07:00.000-03:00</published><updated>2006-10-04T21:51:49.263-03:00</updated><title type='text'>Gravidade</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;GRAVIDADE&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Pintor é encontrado em coma no chão de sua casa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;"O estereótipo de um artista cult e prestigiado é ter trajes seculares, viver sozinho num apartamento psicodélico, esquecer cigarros velhos no cinzeiro e consevar-se num isolamento completo. Mesmo não apreciando rótulos, o pintor renomado Marietto Manganês, 36 anos, autor do elogiado quadro "Futatsu no Watashi", seguia uma rotina equivalente até ontem, quando foi encontrado com uma fratura no crânio e em estado de coma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;As suas chances vitais pulsam graças a um mandato de prisão por não-pagamento de pensão dos filhos. Uma hora após a queda brusca, um policial, por achar que o excêntrico Marietto simplesmente não quisesse atender, arrombou a porta e avistou o artista estatelado, em meio ao cheiro forte de tinta fresca. Depois de um grito abafado, Cabo Silva, nome da citada autoridade, retornou até às escadas e liou para duas viaturas, com as mãos trêmulas, clamando que viessem imediatamente: "O homem tá caido no teto!, o homem tá caido no teto!" &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Após uma exímia análise, os peritos descobriram o motivo incontestável para o acidente: Marietto Mangânes , num súbito ataque, de tédio, decidiu pintar o teto de sua sala, transformando-o numa cópia exata do chão; os mesmos pisos baratos e azuis, as mesmas rachaduras, o tapete vinho, as manchas grudentas de cerveja derramada. No chão verdadeiro, operou também sua pintura-xerocadora. Tirou todos os móveis, todas as baratas mortas debaixo do sofá e pincelou um teto impecável. E assim como Michelângelo dia creu ser uma pessoa sua estátua "Davi", Marietto observou a perfeição de sua caseira obra e acreditou profundamente, por uns segundos, que seu chão era seu teto e seu era seu chão. E caiu. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Segundo a psicoterapeuta Naná Pentel, o caso do pintor Manganês é racionamente plausível, já que a gravidade talvez seja também psicológica. "Consideramos tão óbvio caminhar no solo e não voar, que caminhamos", enfatiza.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Marietto está fora de perigo. Por enquanto."&lt;/span&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Trecho retirado de &lt;em&gt;Dia-dia, n º 1252624777 - Cuiabá/MT&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19842547-116000920151092505?l=jornaldescartes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19842547/posts/default/116000920151092505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19842547/posts/default/116000920151092505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornaldescartes.blogspot.com/2006/10/gravidade.html' title='Gravidade'/><author><name>Saulo Dourado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14877226581424966464</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19842547.post-115300609975461185</id><published>2006-07-15T20:15:00.000-03:00</published><updated>2006-07-15T20:29:54.206-03:00</updated><title type='text'>O Maverick</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;CONTRA O TEMOR NACIONAL, EMPRESÁRIO INVESTE EM SEGURANÇA INFALÍVEL&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;"No dia 11 de junho de 1996, uma explosão de gás provocou quarenta e duas mortes no Osasco Plaza Center, carbonizou oitocentos e três corações de papel feitos para as compras apaixonadas do dia seguinte e afligiu milhares de corações humanos que assistiam aos noticiários horrorizados. Completos dez anos desse incidente minimamente funesto, famílias de todo o Brasil se benzem ao passar pela refrigerada entrada de qualquer shopping center, correndo desesperados com suas sacolas ao menor barulho no teto ou ao ranger desafinado de algum salto alto ou ao berro desavisado num karaokê próximo ou aos protestos impacientes nos postos do SAC. Chega-se, então, a um veredicto inegável: estão todos à beira duma catástrofe eminente, mesmo passada toda uma década inteira pós-calamidade.&lt;br /&gt;Em busca de uma solução para a claustrofobia massificada, o empresário roraimense João Patachovas anunciou nesta quinta-feira, 13/07, que já abriu uma construtora planejada para edificar imóveis com total proteção e impecabilidade inegável, sem risco algum de estourar tijolos em cima de cabeças preocupadas ou de ser atingido por aviões árabes. Mas como pode ser algo tão integralmente garantido?, perguntam todos, E se um cometa cair sobre o prédio? e se uma besta mitológica ou uma ufo-invasão abater a cidade? e se um fumante imbecil fizer a cortina do hotel de cinzeiro? Munido de argumentos firmes, Patachovas traz a resposta para todas as indagações: "Ao invés de somente arquitetos, engenheiros e operários, contratei também tarólogas".&lt;br /&gt;Como exemplo para a empreitada pouco convencional, Luise Iofera, veterana espanhola, tirará as cartas para a construção do Maverick, um edifício comercial a ser erguido no norte de Osasco. "Todos os projetos para futuras construções passarão pelas mãos sábias de Luise", afirma Patachovas. Inclusive, segundo as previsões da visionária, o Maverick existirá até 2089, quando finalmente será destruído durante a invasão do Império Chinês no país; sofrerá uma reforma radical em 2028, um vazamento de água no décimo terceiro andar em meados da década de quarenta; será palco de um escândalo político em 2053; ficará temporariamente fúnebre após um suicídio grotesco dum rapaz que nem nasceu no quarto 603 e terá um assalto ardiloso em 2021.&lt;br /&gt;Em cada imóvel da Construtora Pantachovas, especificamente no hall, existirá o Mapa do Futuro, a disposição de todos os seus inúmeros moradores, hóspedes, funcionários e freqüentadores. Desse modo, a convicção de que nada de grave irá acontecer no exato momento em que o teto está sobre sua cabeça provocará uma reorientação comportamental na sociedade"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;Trecho retirado do &lt;em&gt;Osasco Amanhece&lt;/em&gt;, n° 253178  - Osasco, SP&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19842547-115300609975461185?l=jornaldescartes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19842547/posts/default/115300609975461185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19842547/posts/default/115300609975461185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornaldescartes.blogspot.com/2006/07/o-maverick.html' title='O Maverick'/><author><name>Saulo Dourado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14877226581424966464</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19842547.post-114323791227162856</id><published>2006-03-24T19:01:00.000-03:00</published><updated>2006-03-24T19:05:12.283-03:00</updated><title type='text'>Esguias Guianas</title><content type='html'>Esguias Guianas por  Zaiô Rá-Sol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; "O conjunto musical roraimense, Esguias Guianas, anunciou ontem à noite o formato de seu mais novo álbum. A banda, formada apenas por mulheres (Qjnisiei - percussionista -, Aiedja - Violinista e vocalista -, Eme-Éfe - Folha de bananeira &amp; pente com lenço - e Liça - baixista -), foi precussora do Lerguée-Lafout, ritmo popular na zona leste da Guiana Francesa, ao boom!!-nar inovadoras canções nas rádios internacionais.    A seguir, pequenas entrevistas (pois é! Com esse salário de jornalista, só permito a mim mesmo escrever um parágrafo por reportagem).      &lt;br /&gt;       Repórter Zaiô Rá-Sol: O que você acha do cenário musical da Guiana Francesa?   Qjnisiei: É o mesmo que eu lhe perguntar: "Qual sua opinião sobre os vendedores de frango na Etiópia?"&lt;br /&gt;       Repórter Zaiô Rá-Sol: Depois deste novo disco, qual será o seu novo projeto?   Liça: Quem souber morre. E o seu?   Repórter Zaiô Rá-Sol: Estou analisando uma maneira de me matar. Veja só: A nossa nação parece inalteravelmete corrupta, a política é sutilmente esmagadora, os miseráveis dominam a grande parte da pirâmide social, a classe baixa pena mas não evolui, a classe média fica cada vez mais dopada &amp; calada e a burguesia só emburrece. Como vou viver agora?&lt;br /&gt;     Repórter Zaiô Rá-Sol: Afinal, como será o álbum da Esguias Guianas?   Eme-Éfe: Imagine um disco com uma única trilha! É, uma canção de dez minutos. Mas, a cada vez que se escutasse, ela se modificava levemente. Da primeira vez, o atento ouvinte repararia um baixo acompanhando o bandolim, só que na segunda já estaria ouvindo um baixo seguindo obedientemente o violino...na terceira, o baixo solando isolado. Quarta vez! O bandolim entrava no primeiro minuto, sozinho e cibernético. Mas na quinta vez, seu ar só espaireceria no minuto Dois. Na sexta vez, já se ouviria o barulho de um cão latindo distante na marca de quatro minutos, mas já na sétima vez era um cavalo relinchando. E em outro exemplar do álbum, a terceira vez seria a nona, a primeira seria a quinta, a quarta seria a décima oitava. Logo, a genuína constituição da música ESTARIA NO INFINITO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O Jardim dos Caminhos que Se Misturam por Esguias Guianas. 29,99 em qualquer loja especializada do país."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Trecho retirado do Caderno Cultural de Amaópolis. Nº 312151678  - Amaópolis, Amapá&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19842547-114323791227162856?l=jornaldescartes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19842547/posts/default/114323791227162856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19842547/posts/default/114323791227162856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornaldescartes.blogspot.com/2006/03/esguias-guianas.html' title='Esguias Guianas'/><author><name>Saulo Dourado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14877226581424966464</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19842547.post-114212987221851259</id><published>2006-03-11T23:13:00.000-03:00</published><updated>2006-03-12T17:05:47.276-03:00</updated><title type='text'>0xx 11 Lá Menor</title><content type='html'>" Ontem, um apogeu na história da música foi rabiscado apressadamente num papel de partitura; e não se trata de uma sonata erudita ou uma sinfonia revolucionária, e sim de uma descoberta memorável. O violonista Péricles Ktulu, conhecido por ser ex-integrante da banda Gustloff e músico-acompanhante na turnê inaugural da cantora Vanessa da Matta, fez, involuntariamente, um achado sem-igual para a comunicação gratuita e para o contato imediato humano.&lt;br /&gt;Há dois dias atrás, Péricles Ktulu estava dedilhando seu violão em formato de ornitorrinco com o amigo compositor Carlos Estrios Éle (autor da próxima canção inédita de Zélia Duncan), quando o fortúnio ocorreu. Antes de grandioso acontecimento, os dois músicos discutiram grosseiramente, por uma simples questão técnica. Irritado, Carlos Estrios Éle se retirou do quarto, onde até então tocavam, para espairecer no sofá peruano de Péricles, na sala de estar. Ktulu permaneceu sentado em sua própria cama, tocando fortemente o acorde que o seu amigo sugerira em avulso, a fim de também se acalmar. No ápice de sua cólera, berrou dentro da caixa acústica do próprio violão. Carlos Estrios Éle, que exprimia a Sonata da Lua de Beethoven, escutou uma voz vir baixo até os seus ouvidos. Para não imaginar-se louco, estagnou os seus movimentos e procurou de onde vinha essa fala tão próxima. Não, não poderia ser de Péricles, pois ele se encontrava há metros de distância, em seu quarto, de porta trancada. A voz não cessava... e, aos poucos, Carlos, com seus ouvidos apurados, chegava a uma conclusão aterradora: os sons humanos vinham do interior de sua viola.&lt;br /&gt;O compositor correu imediatamente para os estabelecimentos do anfitrião e girou freneticamente a maçaneta. Quando Péricles abriu a porta e Carlos berrou seu último acontecimento, os dois se reentenderam simultaneamente. Para averiguar o ocorrido, Ktulu novamente pressionou em dedilhos o acorde sugerido e falou dentro da madeira onitorrintíca. Carlos Estrios, com a viola contra a orelha direita, escutou claramente. Desse modo, os dois se debruçaram no primeiro papel que avistaram e anotaram todos os fatos compulsivamente.&lt;br /&gt;Peritos da Telecomunicação estudam o caso, analisando se é possível haver um contato entre instrumentos musicais. Pelo que se indica, é inerente a cada violão ter um acorde ou um conjunto de notas que o faz abrir o canal de ligação. Resta a todo músico, então, investigar o "ramal" do seu instrumento e divulgá-lo, para que se inicie a efetivação da teoria. Ou, como provavelmente ocorrerá, a Anatel, sendo uma empresa nababesca e com um possível dono megalomaníaco, abafará a notícia ou destruirirá todos os violões do território nacional.&lt;br /&gt;Snif, e eu que só consegui aprender Legião Urbana."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho retirado do jornal Expresso Paulista, n° 434782 - Guarulhos, SP&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19842547-114212987221851259?l=jornaldescartes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19842547/posts/default/114212987221851259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19842547/posts/default/114212987221851259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornaldescartes.blogspot.com/2006/03/0xx-11-l-menor.html' title='0xx 11 Lá Menor'/><author><name>Saulo Dourado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14877226581424966464</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19842547.post-114153181649601394</id><published>2006-03-05T00:30:00.000-03:00</published><updated>2006-03-05T01:12:21.536-03:00</updated><title type='text'>Jovens da Espera</title><content type='html'>"Há exatamente uma semana e cinco dias, três garotas (Lia, Cibelle e Laura) e quatro rapazes (Lucas, Rafael, Pierre e Renato) acamparam no ponto de ônibus da Rua Antoniêdo Labara. Inquietando a população local pelo ato excêntrico, o grupo juvenil, agora conhecido como Jovens da Espera, foi indagado: "Estamos esperando um ônibus", respondeu Pierre, "É que ele demora". O que muitos anunciavam como um protesto explícito ao sistema de transportes depreciável de Salvador tornou-se o símbolo da esperança humanista. "Aguardamos o Estação Paraíso, que passa de ano em ano nesse ponto", esclareceu finalmente Cibelle, após cinco dias de mistério.&lt;br /&gt;A seguir, trechos de uma entrevista concedida no dia 02/03/06.&lt;br /&gt;REPÓRTER - Algum de vocês poderia me descrever o Estação Paraíso?&lt;br /&gt;Lia - É um ônibus relativamente pequeno e pintado de branco. A sua única identificação é um adesivo de nuvem no vidro dianteiro.&lt;br /&gt;REPÓRTER - Por que ninguém mais sabe sobre esse ônibus?&lt;br /&gt;Rafael - Porque ninguém teve a curiosidade de pegá-lo.&lt;br /&gt;REPÓRTER - E como vocês o descobriram?&lt;br /&gt;Lucas - No ano passado, cara, um amigo nosso disse ia sumir e explicou tudo isso. Mas, claro, a gente só riu. Só que até hoje nenhuma alma penada ouviu falar dele.&lt;br /&gt;REPÓRTER - E por que vocês querem embarcar nessa aventura sem volta?&lt;br /&gt;Pierre - Descremos totalmente dos novos rumos da humanidade. Já chegamos à conclusão que qualquer rota de boa índole tomada pelas rédeas do poder será distorcida pela ordem estabelecida. A oligarquia política está terrivelmente estruturada, e um revolucionário só entraria na câmara para morrer. Pelos caminhos tortuosos da democracia, não vejo futuro para a ordem e o progresso, apenas para o mando e o desmando.&lt;br /&gt;Lia - Fora que Salvador mesmo já é uma bomba relógio prestes a explodir. Ainda existe a tentativa babaca de encobrir a miséria instaurada pelo excesso de desempregos e de dizer que a classe média tem grande número. Se o governo municipal perdurar seu comando elitista, estará apenas contribuindo com uma minoria, que não resiste aos quase-justos e sumários ataques e assaltos pela orla. Não conseguimos suportar uma cidade que é tão descaradamente auto-destruitiva, que enche os olhos da nobreza e ilude um progresso quando entrega a chave da cidade aos turistas e à sorte.&lt;br /&gt;Renato - É, estamos sufocados.&lt;br /&gt;Cibelle - Sem contar que as vidas unilaterais ditadas pelo sistema acadêmico e pelo capitalismo excludente são uma m****.&lt;br /&gt;REPÓRTER - Como vocês imaginam o fim de linha da Estação Paraíso? Pierre - Um lugar que preserve totalmente os valores humanos acima de qualquer crença ou pseudo-moral, que enalteça o desenvolvimento da existência e do valor da existência. E, claro, um lugar que não haja votantes de ACM.&lt;br /&gt;Há dois dias, os Jovens da Espera desapareceram."&lt;br /&gt;  Trecho retirado do jornal Tribuna Salvador - Salvador, Bahia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19842547-114153181649601394?l=jornaldescartes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19842547/posts/default/114153181649601394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19842547/posts/default/114153181649601394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornaldescartes.blogspot.com/2006/03/jovens-da-espera.html' title='Jovens da Espera'/><author><name>Saulo Dourado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14877226581424966464</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19842547.post-114022451251715721</id><published>2006-02-17T21:55:00.000-02:00</published><updated>2006-02-17T23:28:58.620-02:00</updated><title type='text'>Máfia Ceifada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Para inaugurar o jornal dos jornais, um recorte curioso que extraí há uns cinco dias, enquanto bebia coffeeños (café preto batido com frutas exóticas do Uruguai) numa padaria pouco movimentada da rua. Confesso: essa notícia me fez desperdiçar duas gotas e uns farelos de misto quente (grave, mui grave).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MÁFIA CEIFADA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(texto jornalístico de Pedro César Souza)&lt;br /&gt;“A Máfia dos Felipes, como era conhecida do norte ao sul de Goiás, foi considerada oficialmente extinta ontem, às 22h17min, quarta-feira. Os corpos, encontrados atrás de um outdoor, estavam grotescamente pendurados. Já que a parte posterior de tais quadros de publicidade não é alvejada por nenhum olhar, os assassinados ficaram dias, sem serem percebidos. A morte da Máfia dos Felipes é “quase tocante”, diz um cidadão. Os Felipes figuram há mais de um século na cidade e,por isso, “sua exploração furiosa irá deixar saudades”, concluiu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Felipe Sexto, o avô; Felipe Sétimo, o pai; e Felipe Oitavo, o filho: eram eles os sobreviventes da longa oligarquia iniciada por um maquiavélico e carismático Felipe Primeiro. A Máfia consistia em comandar o mercado bélico, emprestar matadores de aluguéis a deputados e empresários coléricos, injetar vereadores e prefeitos na câmera e criar um Big Brother a olhos vivos pela cidade. Não há suspeitas de quem os tenha aniquilado, mas, pelo visto, é alguém que em breve será escalpado em público, lançado aos cães e enterrado no matagal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mais poderoso dos Felipes, que também era o mais velho, acabou sendo a primeira vítima. Peritos dizem que foi por uma arma de fogo invejável, cujo registro não consta na cidade. “Parece que o revólver é clandestino, ou seja, foi trazida para cá pela própria Máfia.”, afirma o especialista Antônio César Macedo. E ainda sinaliza categoricamente: Felipe Sexto foi morto numa sexta-feira, com seis tiros no peito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Felipe Sétimo era acostumado com as ausências do pai e, por isso, nem se enrugou, quando não o viu durante o sábado pela manhã. “Ah, deve estar resolvendo problemas com aqueles comunistas ou se divertindo num harém.”, pensou ele, antes de ir a uma reunião pela tarde. Na saída, horas após, o áustero homem foi nocauteado com sete projéteis, partidos de um ponto desconhecido. As balas perfuraram-no tão velozmente que ele nem pôde clamar pelo pai ou por qualquer dos seus fiéis capangas escudeiros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O neto, o mais novo Felipe, era o que menos se preocupava com as faltas dos seus parentes de família e parentes de negócios (o que dava quase na mesma, pois o mundo do crime sempre se orgulhou de seu nepotismo exarcebado). Felipe Oitavo era liberado de se inquietar com os empecilhos matutinos, vespertinos e notívagos da Máfia; era o jovem que podia entreter-se primordialmente com baladas goianas. Mas, num encontro infeliz, a sua carreira de Sustentador de Discotecas &amp; Bares se findou. Os oito balaços deram um ultimato à sua curta vida, no dia Octavo, um após o Sábado, perto do tradicional Bar Escócia-Tive. O segador oculto (ou assassino, como preferirem) assim deixou no bolso do cadáver em forma de bilhete (foi a única pista deixada, vale dizer): “Hoje é Octavo. Amanhã é Domingo.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em prova de tal afirmação, algumas testemunhas afirmam ter visto, pela primeira vez, a lua num formato estranho. "Senti um vento diferente hoje, como nunca havia sentido. Não podia ser domingo", afirma o cego José Borizó, veterano novohorizontense com 102 anos completos. Já a ala religiosa do munícipio imagina ser apenas uma "premonição em massa da morte do último Felipe" esse ar peculiar que ontem abateu Novo Horizonte. Mesmo com a oposição da Igreja, muitos ainda desconfiam que era mesmo a chegada do Octavo, o dia que veio do cosmos só para demonstrar a importância do acontecimento trágico. "Os Felipes não seriam dizimados num período comum", assegura João Boréstia, um líder sindical. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;       Em homenagem à Máfia, as autoridades prometem pensar na alteração das datas da cidade, adotando uma espécie de calendário felipino.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho retirado do Jornal Cidade, nº 31244 - Novo Horizonte, GO&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19842547-114022451251715721?l=jornaldescartes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19842547/posts/default/114022451251715721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19842547/posts/default/114022451251715721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornaldescartes.blogspot.com/2006/02/mfia-ceifada.html' title='Máfia Ceifada'/><author><name>Saulo Dourado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14877226581424966464</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
